04-10-2018 10:08

SOS Cagarro

Gui Menezes afirma que 'SOS Cagarro' é a maior campanha de conservação da natureza e de educação ambiental do país

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia destacou hoje, no Corvo, a importância da campanha SOS Cagarro enquanto “veículo de educação ambiental informal” nos Açores, defendendo o "envolvimento dos cidadãos” como “fator decisivo” para a conservação desta espécie.

“O cagarro é a ave marinha mais icónica dos Açores, que tem um estatuto de conservação reconhecido internacionalmente”, salientou Gui Menezes, que falava na sessão de abertura da campanha SOS Cagarro 2018, que também contou com a presença da Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro.

Gui Menezes recordou que esta iniciativa, que vai decorrer até 15 de novembro, “realiza-se ininterruptamente desde há 22 anos e nasceu na ilha do Corvo, em 1995”.

“O Corvo é, por excelência, a ilha das aves marinhas”, afirmou, acrescentando que, nesta ilha, “estes animais ocupam áreas significativas e encontram o habitat certo para nidificarem”.

O Secretário Regional recordou que os Açores, nos anos 90, “iniciaram um processo de desenvolvimento de políticas de conservação do ambiente que dão uma atenção especial às aves marinhas”.

Neste sentido, foram criadas 17 áreas protegidas em zonas de nidificação, no âmbito da Diretiva Aves, denominadas Zonas Ecológicas Especiais (ZEC), tendo-se proibido a sua captura e a destruição dos seus habitats.

“Foram implementados programas de monitorização para avaliar a evolução do estado de conservação das aves e desenvolveram-se projetos de investigação que permitem conhecer e proteger melhor estas espécies”, afirmou.

Gui Menezes frisou que a iniciativa SOS Cagarro é atualmente “a maior e mais regular campanha de conservação da natureza e de educação ambiental do país”, enaltecendo o envolvimento da sociedade civil, de entidades públicas e privadas e de organizações locais e regionais.

O Secretário Regional afirmou que, para além da vertente de conservação e de educação ambiental, esta campanha tornou-se “numa atividade com potencial para o ecoturismo e uma boa fonte de informação científica sobre a espécie, através das brigadas científicas, que decorrem desde 2016”.

Estas brigadas científicas, organizadas pelos Parques Naturais de Ilha, por organizações não governamentais e por outras entidades, coligem dados relevantes que são usados pelos cientistas para se definirem estratégias mais eficazes para a conservação da espécie.

No final da sessão de apresentação da campanha, Gui Menezes participou na libertação de dois cagarros.

Este ano, a Direção Regional dos Assuntos do Mar, no âmbito da campanha SOS Cagarro, vai distinguir os cidadãos e entidades que mais contribuam para o salvamento destas aves marinhas, através da atribuição do galardão ‘Cagarro D’Ouro’.

Os Açores acolhem todos os anos cerca de 200 mil casais de cagarros, que utilizam as ilhas do arquipélago entre abril e outubro para se reproduzirem.

Estas aves, que formam inúmeras colónias de nidificação nas falésias costeiras dos Açores, representam 75% da população mundial da espécie, que também se reproduz nos arquipélagos da Madeira e das Canárias e nas Berlengas.

Em 2017, a campanha SOS Cagarro permitiu salvar 2.839 aves em todo o arquipélago dos Açores.

Esta é uma iniciativa coordenada e dinamizada pelo Governo dos Açores, através da Direção Regional dos Assuntos do Mar, operacionalizada pela Direção Regional do Ambiente, através dos Parques Naturais de Ilha, contando com o apoio da Azorina na vertente de educação ambiental.


GaCS/GM